domingo, 26 de outubro de 2008

Das CAVAS ao CHAMPAGNE


Pois é.... gente....., sacomé, né?....acabamos indo para a Suica. Afinal viagens pela Europa sao muito baratas, quando encomedadas com antecedencia. Combinamos este "tour" com a Suzana ha varias semanas. (sorry, mas nestes teclados suicos nao tem "til", ascentos agudos, e nem "cedilha"). 
Bem, turma... isto aqui é muuuuuuito bom! Incredible! Duca!!!
Queijos? Vinhos? Tem. Conforto? Hospitalidade? Sim, certamente tem. Cidadezinhas, Vilettes e Castelos medievais? Sim, claro que tem. E tudo isso na beira de um lago tranquilo e muito romantico, e o pior.... com uma cadeia de montanhas nevadas ao longe, como pano de fundo.
Estamos no outono, e portanto a vegetacao esta vestida de cores pastéis, desde o verde até o vermelho, passando por todos os amarelos e sienas. Um grande show!
Impressionante. Infelizmente pegamos muita neblina e alguma chuva, e com isso as paisagens das montanhas ficam muito limitadas, mas nada que o friozinho, os chocolates quentes e os vinhos nao curem, ou nao nos deixem imaginar.
Nao se aguenta! Confesso que nunca me senti tao em casa. Tudo de bom.
Teremos mais o que contar, mas na proxima mensagem....aguentem.
Beijos,
Fabio

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

DE MONT'JUIC A TIBIDABO

Estou tentando recuperar o relato de algumas andanças, por motivos de falta de tempo para atualizar o blog, e ou por falta de internet. Bom, não lembro exatamente quando, mas era mais um lindo domingo de sol e de temperatura amena, fomos ao famoso monte Mont'Juic. Muito estranho, pois fica quase no centro de Barcelona, na beira do mar (o "Med", para os íntimos). É um enorme parque, muito bem planejado e ajardinado, onde se tem visuais fantásticas, tanto de toda a BCN, como dos seus arredores. O nome é em função que descobriram ali, há muito tempo, antigos cemitérios judeus. Este morro é bem característico na paisagem de BCN, e naturalmente faz parte da história da cidade em muitos dos seus momentos. No topo, está completamente preservada uma fortificaçao militar do séc. XVIII, o "Castell", hoje museu, e uma boa estrutura turística. Chega-se de metrô, e sobe-se de funicular - muito divertido (principalmente com vento). Na verdade o parque contém várias outras atrações, como o Museu da Fundação Joan Miró, um importante Museu Arqueológico, o Museu de Arte da Catalunya (com o maior acervo europeu de obras do românico, e afrescos medievais), o Pavelló Mies van der Rohe (feito para a feira internacional de 29), o "Poble Espanyol" (uma muito bem feita reproduçao das principais tipologias arquitetônicas populares de toda a Espanha, como se fosse uma vila artificial), e várias outras coisas, que obviamente não se consegue ver em um dia, mas em várias futuras voltas ao local. Neste dia visitamos o Castell e o Poble, com direito à uma sangria e paella. Bom, dali avista-se, no outro lado da cidade, um outro morro muito mais alto, parte da serrinha ao fundo de BCN, com uma espécie de castelo no topo - é o famoso "Tibidabo". Fomos lá também, em outro dia de sol (como aliàs quase todos por aqui - um dos problemas de BCN é que quase não chove). Outro metrô, e vários outros tipos de trem (um muito antigo, que funciona por cremalheira, e um funicular mais moderno), chega-se a uma das melhores vistas de toda a região urbana e rural de Barcelona, onde fica uma igreja meio românica, meio gótica, mas de construção recente (uns 100 anos), com torres altíssimas, e um grande parque de diversões. No final de semana, toda a gurizada sobe para lá (parece a ilha do Stromboli). Local fantástico pela vista, e pela estrutura muito bem organizada (prá variar!). Vale !!
A vista panorâmica acima é tirada do Tibidabo, e para se ver melhor, podes clicar em cima dela. Aliás, para quem não sabe, clicando sobre qualquer das fotos deste blog, ela se amplia, em outra janela, para o tamanho e detalhes melhores de se ver. A foto de cima é feita no Castell de Mont'Juic, e lá no horizonte, acima da Pity, está o monte Tibidabo e seu Castell (vai dizer que BCN não tem um "Q" de Porto Alegre, né?).
Abraços. Fabio

terça-feira, 7 de outubro de 2008

LAS CAVAS - CODORNIU, FREIXENET, E OUTRAS...



No último sábado, como ninguém é de ferro, fomos às Cavas (o nome da champanhe por aqui, depois que a França deteve a origem do termo). Aliás, Cavas são também os locais correspondentes às Caves destes maravilhosos vinhos brancos e espumantes. Dia azul e friozinho, como deve ser nestes programas, fomos de trem à Sant Sadurní d'Anoia, nas montanhas, há uns 40 Km de Barcelona. Saímos cedo da estação de Sants, pois no sábado eles fecham tudo às 13hs, e fim de papo. Ao chegar no pueblito do tamanho de Garibaldi, dá-se de cara com a Cava da Freixenet, em um prédio bonito e enorme, mas rumamos primeiro à Codorniu, cujos atrativos arquitetônicos e paisagísticos (sem falar nos etílicos, naturalmente) são famosos, e não tínhamos muito tempo até às 13hs. Mais afastada do centro urbano (uns 2 Km), o local de fato surpreende pela exótica arquitetura de Puig i Cadafalch, com seus arcos e vitrais, no meio de um parque extremamente bem cuidado. Apesar de ser um bom exemplo do modernismo catalão do início do século, a família está por ali fazendo vinho desde 1551, há umas 17 gerações apenas. Tudo fantástico, percorre-se todas as instalações, incluindo vários kilômetros das adegas subterrâneas em um trenzinho, onde repousam as milhares de garrafas que iremos provar logo a seguir. Depois dos brindes, resolvemos voltar à pé para a cidade, nos arrastando pelos parreirais (como ainda havia sobrado alguma uva das colheitas, fui beliscando o que deu). Na cidade, uma surpresa, casualmente naquele final de semana havia a famosa Cavatast, uma festa de rua, onde todas as melhores Cavas da região (mais de 15) oferecem as suas bebidas para degustação, e acompanhado por comidas típicas da região, petiscos de embutidos, e doces de "fazer cair todos os butiás do bolso". Se já estávamos de arrasto, agora de quatro, fomos percorrendo as arruelas de volta à estação, onde ainda deu tempo para mais uma copa de cava de saideira.
Maravilha. Recomendo a todos! Incrível, mas parece que o local não é muito conhecido turisticamente, e tivemos alguma dificuldade em planejar este passeio.
Beijos, Fabio.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

MERCÈ


No dia 24 passado, comemorou-se por aqui a "Fiesta de la Mercè". Uma espécie de dia nacional da Catalunha. O grande barato é que toda a cidade participa, em festividades sucessivas, pelos vários cantos... e bota cantinhos nisso! A concentração naturalmente é na cidade antiga, entre as arruelas medievais e inúmeros largos, ou pracinhas, com seus cafés, mesas na rua, e confeitarias. Para quem pensa que seria uma baderna pública, com bêbados, tiros, e arruaceiros, engana-se redondamente. É um tipo de carnaval bem comportado, lembrando o que se sabe dos carnavais mais antigos brasileiros. São tipo blocos uniformizados que desfilam pelas ruas, mostrando o que prepararam para a festa, com charangas e bonecos gigantes (tipo as maricotas de Floripa). Coisa muito civilizada, e se comparada ao que se tem hoje no Brasil, até meio ingênua, muito familiar, e com ares de idade média - coisa que aliás, combina muito bem com o cenário urbano local.

O dia inteiro é uma festa, mas apesar da extensão de Barcelona, sabe-se a todo o instante o que vai acontecer, quando, como, e porque. Muita informação, muita organização. A polícia, "mossos de esquadra" não dão moleza, mas sempre muito discretamente, e atenciosos. Ao final, um concerto de carrilhões no muito bem restaurado Palácio do Governo (Palau de la Generalitat - em Catalão), aliás onde Colombo comunicou o seu achado aos reis católicos Fernando e Isabel, e após, lá pela 1/2 noite, vai todo mundo, ordeira e alegremente para casa. Parece um filme do Disney onde todo mundo sorri, e sempre acaba bem. Quem não está acostumado com isso....até estranha!
Abraços a todos,
Fabio

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

DALI - FIGUERES e CADAQUÈS



Fomos de trem à Figueres no findi, uns 150Km ao noroeste de Barcelona, onde morou Salvador Dali, e tem um Museu com grande parte da sua obra. Pueblito pequeno e com algumas ruas antigas (como todas as cidades por aqui) - coisa básica, de uns poucos 1000 anos mais ou menos. Visitamos o museu muito louco do polêmico pintor, escultor, design, e algumas otras cositas mas.... O prédio é a restauração de uma edificação entre o Românico e o Medieval. Muito bem feita, com todas as loucuras que o tal cara tinha o direito de fazer. Surrealista Pop, misturava tudo o que lhe vinha nas mãos, vasos sanitários, coca-cola, pneus, etc... Pessoalmente, confesso que não é bem o meu tipo, e da tarde que passamos ali, acho que eu separaria apenas umas 3 ou 4 obras para levar comigo, se possível. Mas simplesmente não dá para vir aqui e deixar de conhecer este ícone contemporâneo das artes plásticas . Após uns comes e bebes, fomos dormir em um hotelzinho periférico da cidade, tipo apenas para dormir, meio executivo. Tudo fácil, os ônibus urbanos são grandes, limpos e pontuais (tipo "T"). Na manhã seguinte, partimos para Cadaquès, uma das praias de Figueres, na Costa Brava, onde o Dali tinha uma casa de veraneio, para pinturas, loucuras, festas, e namoros com a sua famosa Gala. Bom, a tal "prainha" é uma pequena jóia, em uma pequena baía de pedra. Aliás, tudo na Catalunha é de pedra, e no meio delas. Arquitetura típica mediterrânea, casas brancas, empuleiradas, e o mar.....uma loucura! Piscina transparente até nos mares mais movimentados, quanto mais nas águas tranquilas daquele porto de pesca. Passeamos, com tempo bom, ficamos à noite em uma hosteria muito boazinha e barata, Hosteria Marina, na praia principal (riera), onde ficam também barezinhos e restaurantes, sempre apinhados de italianos, alemães, e franceses. Acho que os franceses são os que mais visitam o local, pois estamos perto da divisa com a França, mas os italianos são os que mais se encontra em todos os lugares, pelo menos de Tarragona à Cadaquès, sem falar no Brasil. Frutos do mar, mexilhões, polvos, e o bom vinho da casa. Voltamos no trem das 11, e chegando em Barcelona, na estação de Sans, onde tudo se conecta, trem e metrô, e ali tomamos um baita susto: esqueci a minha mochila num dos bancos da estação, com tudo dentro, máquina fotográfica, documentos, cartão de crédito, etc... Mas o stress durou pouco, saltamos na estação seguinte, contatamos a segurança do metrô, voltamos para a estação de Sans, e a mochila já estava nas mãos do chefe da estação, nos esperando. Ufa! Foi muuuuuuuita sorte mesmo!


Fiquei algum tempo sem escrever, pois as conexões de internet na Espanha são sofríveis e complicadas (pasmem! - pelo menos nisso parece que estamos mais adiantados).


Beijões a todos.


Fabio

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DESCOBRI !!!


Eu até já tinha desconfiado, por sinais percebidos em Sant Just, naquele restaurantinho em frente ao mercado, mas hoje tive a confirmação final ! Eu reclamava ontem, com a Pity, que esses caras não comem nada ! Até achamos nisso fundamentos para a delgada (e triste) aparência dos toureiros espanhóis, ou melhor dos espanhóis em geral. São magéééérrimos (e baixinhos). Aqui não tem gordo. Eles me confundem com os americanos (os poucos enormes por aqui). Tapas? prefiro não comentar! Paelhas para dois? Panelas até largas, mas razas - a profundidade é de um grão de arroz, no máximo 2! Assim não dá!
Mas hoje, saindo da Universidade, fui sozinho atrás de umas indicações, e lá para os lados da Av. Mistral, la tienda já estava cerrada. Putz... como eles só re-abrem às 16hs, resolvi almoçar, e me atirei no primeiro buteco da área, perto da parada "Poble Sec" do metrô (outra alusão em catalão, à desnutrição geral do País). Restaurantinho de bairro, nada turístico, simples, mas limpinho. Sentei e vi o cardápio do dia. Primeiro prato, segundo prato, postres + pan + bebida, tudo incluído por 8 euros. Desconfiei, mas mandei seguir o baile. Se a bebida (qualquer) estava incluída, não me aguentei, e pedi um copo de vinho branco bem gelado. Uma surpreendente maravilha!!!!! Comida ótima, garrafa de vinho, porções fartas, ...tudo de bom. Estamos mal novamente! Pô, uma garrafa de um maravilhoso vinho espanhol incluído!? Bem, não era daqueles tintos maduros e encorpados, mas um honesto e levíssimo vinho branco de mesa, que o cara abriu na minha frente - toma-se um ou dois cálices, e com o resto eles devem preparar sangria, clericot, ou sagú, não sei. Olhei para os lados, e vi que isto era o normal.
Mas é claro, brasileiros e brasileiras !! Se vinhos de mesa custam 1,5 euro a garrafa, no Super, e uma latinha de pepsi custa 2 euros em qualquer buteco, o cara aida estava no lucro com a minha escolha. É que a gente pensa bem ao contrário, e vinho de mesa brasileiro é suicídio. E depois, aqui está o motivo da famosa siesta. Ninguém tem pressa, almoça-se com calma, alguns vão dormir mesmo, e tudo só volta a abrir no fim da tarde. Que assim seja!
Portanto acho que finalmente descobri - os turistas não, os estressados pseudo-executivos americanos também não, mas ELES comem sim, e sabem viver assim, muito bem obrigado !
Portanto, recomendo, para se comer bem e barato por aqui, fuja dos turistas, e una-se a eles! Acho que descobri o óbvio!
Grande abraço,
Fabio

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

PASSEIG DE GRÀCIA

Aqui, no bairro de Eixample, achamos uma outra Barcelona. Tudo é diferente, desde o traçado viário mais organizado (o que presume um planejamento prévio), com certas inovações para a época, como o "oitavado das quadras" (chanfradas em cada esquina), o que comprovei a eficiência - além de ampliarem bastante o ângulo visual nas esquinas, permitem um arejamento e uma insolação bem mais penetrante nas vias. O traçado urbano é dos meados do séc. XVII, na proposta de expansão da cidade, chamando o Arq. Ildefons Cerdá para resolver. Aliás, grande polêmica, pois o verdadeiro vencendor de um concurso realizado para isto foi outro, o Arq. Antoni Rovira. Imaginem o bafafá que deve ter dado!
Bom... além do clima novayorkino (coisa que até combinou com uma frente fria que chegou do Norte, baixando o verão para uns muito suportáveis 20graus), por aqui estão as principais casas dos neo-modernistas. Fora Gaudi, que é muito óbvio, e só se fala nele por aqui, temos neste mesmo cardápio, Domènech i Montaner, Puig i Cadafalch, e outros. É o famoso modernismo catalão, meio contemporâneo (e concorrente) do "art nouveau" do início do sec. XX. E é por aí que as coisas aconteceram neste fantástico bairro, Casas....muitas....Batlló, Ametller, Lleò Morera, Milâ, La Pedrera.....fantástica!
Fomos tarde, e perdemos a hora das visitas oficiais, mas nos comprometemos a voltar. Até porque por aqui estão também as maiores grifes e lojas dos maiores criativos ou Designers do mundo, naturalmente para ver, e não comprar -nem tudo é perfeito - paciência. Moda, objetos, decoração, e tudo mais que se possa imaginar.
Andamos sem sentir. Primeiro, por estarmos mais atléticos, agora com 15 dias de andanças, em segundo, por racionalizarmos melhor as opções do metrô, e em terceiro, porque por aqui tudo é de babar mesmo!
Acabamos o dia indo na Plaça Espanha, junto ao Palau Reial, para ver o fantástico show de imagem e som (águas dançantes), mas isto, confesso, nos surpreendeu "mucho mas que todo". Um grande barato público, um espetáculo em todos os sentidos, na concepção do espaço urbano, na qualidade arquitetônica, na perfeita demonstração e mescla de tipologias de épocas variadas, e na atual tecnologia por traz de tudo isso, para que funcione perfeitamente. E este é um detalhe importante de se comentar : Tudo, velho ou novo, funciona! Não importa há quanto tempo, se estiver disponível ao uso, é porque funciona, e quando isto raramente não ocorre, os avisos, advertências, e opções estão presentes. Eles investem muito em manutenção, e para não gastarem exageradamente nisso, projetam, produzem ou compram produtos de excelente qualidade. Por exemplo, quase tudo em termos de mobiliário urbano é em aço inox. Desde abrigos, postes, bancos, corrimão, proteções, até lixeiras - tudo de inox. Custo alto? Não se considerar a manutenção.
No amplo espaço estão milhares de pessoas, ocasionalmente reunidas neste ponto da cidade para verem as águas (acho que, se não me engano, em quase todas as noites), diferente dos inúmeros outros pontos - paradas e sorrindo, sem nenhum problema visível, todos curtindo a música, e as luzes, aparentemente sem problemas ou reclamações. Um grande show em todos os sentidos - emocionante!
Tchau, e até mais,
Fabio